Você já parou para pensar, Quanta informação você já consumiu no dia de hoje?
Pelo menos 90% de toda informação que você observou no dia de hoje foi irrelevante para você. Desde que acordamos, consumimos todo tipo de “input” de informação – acordou e olhou o celular, nós lemos além das horas, a temperatura e uma lista de mensagens recebidas e não lidas, o status, etc
No banheiro, a pasta de dente da marca X, o shampoo da marca Y. Se ligar a TV, rádio ou abrir um streaming, nos primeiros minutos do dia explodem centenas de estímulos sensoriais.
Vamos aqui discorrer sobre a importância de entender o que é a poluição visual, especialmente no contexto do consumo de conteúdo audiovisual e como isso impacta a eficácia das campanhas de marketing.
Ah sim, eu vi! Mas o que era mesmo?
Muitas vezes encontramos um vídeo na internet com o tema que adoramos- então, super motivados iniciamos o vídeo, mas por alguma razão ele não nos agrada de imediato. Seja um vídeo curto, longo, uma vinheta, ou publicidade; alguma coisa está errada e a gente não sabe ao certo o que é.
Nosso cérebro tem uma velocidade supersônica em detectar falhas que (na maioria das vezes) nós não detectamos racionalmente. Então fica aquela pulga atrás da orelha, o que é esse desconforto que sentimos? Então, o que você faz? Simplesmente descarta o vídeo nos primeiros segundos de exibição e parte para o próximo.
Mas por que eu descartei um conteúdo de um assunto que eu gosto, assim tão rápido?
Uma das razões com certeza é a poluição visual. Ninguém gosta de ficar em um ambiente sujo e malcheiroso, não é mesmo?
O mesmo acontece com a percepção visual. Seus olhos detectam o feio da mesma forma que o sentido olfativo detecta o cheiro do lixo. Então o que fazemos? Quando estamos em um ambiente fétido, damos um jeito de sair dali o mais rápido possível, não é mesmo?
No mundo online é fácil desviar o olhar e logo em seguida encontrar um conteúdo mais atraente – afinal, existem centenas de outras fontes onde você poderá encontrar algo que lhe atraia.
Já no caso do sentido visual, poucas pessoas param para perceber a razão deste desconforto. O estudo da Semiótica trata das relações, conexões e significados das coisas e da comunicação. Este é um assunto realmente interessante para explorar.
Então, existe poluição nos vídeos?
Sim, claro que existe. E a poluição visual não é nada agradável.
Ainda mais se a intenção do vídeo é atrair audiência para uma marca, se o vídeo for um poluidor, a flecha, provavelmente não vai atingir o público alvo, e eles vão recusar o conteúdo. Na verdade o público vai ignorar completamente sem o menor constrangimento.
Todos nós somos bombardeados (de todos os lados) com conteúdo de todos os tipos. Até as placas de trânsito e os semáforos são fontes de informação – não existe trégua. No mundo online e mesmo no offline, em tudo que você direciona seu olhar, no meio do caminho você vai encontrar alguma informação (intrusa?) querendo chamar sua atenção.
Na tela da TV, no cinema e no celular não é diferente e possivelmente nos celulares, a poluição visual é bem pior.
E não estamos falando que propaganda/publicidade é poluição visual – são duas coisas completamente distintas. O que estamos falando é sobre a maneira, que os conteúdos muitas vezes chegam até nós.
Na produção audiovisual, principalmente nas artes audiovisuais existe um respeito maior com o público. No cinema, na TV (aberta ou fechada), nos Streamings, são alguns exemplos onde a gente consegue parar e focar em um só conteúdo sem ser incomodad@ com algum tipo de poluição cruzada.
Quais são os principais sinais da poluição visual?
Como lixo jogado fora do cesto é facilmente percebido, os vídeos poluídos são facilmente notados.
- Dificuldade de foco: O espectador tem dificuldade em identificar a mensagem principal do vídeo devido à quantidade excessiva de elementos visuais.
- Cansaço visual: A exposição prolongada a vídeos com alta saturação de cores e movimento pode causar fadiga visual.
- Distração: Elementos visuais irrelevantes competem pela atenção do espectador, prejudicando a compreensão do conteúdo.
- Rejeição à marca: A poluição visual pode gerar uma percepção negativa da marca, associando-a a um excesso de informação e falta de clareza.
O excesso de informação geralmente acontece quando a ansiedade em informar é maior que o espaço útil para a mensagem. Pense um recorte de um vídeo como se fosse um Outdoor numa movimentada avenida da cidade. Os carros passam em velocidade e os motoristas não podem se distrair com mensagens em excesso. Preparar um conteúdo que tenha força e retenção de audiência, pode parecer simples, mas com certeza não é nada fácil. Fácil é exagerar na dose e deixar sua audiênca entendiada.
Existe uma saída ambientalmente limpa
Ufa! Então dá pra reduzir o lixo visual no planeta? – Infelizmente não 🙁 mas, entendendo um pouco sobre o que é da poluição visual, podemos aprender a filtrar o que a gente consome pelo olhar. Podemos ensinar nosso cérebro a desconsiderar conteúdo ruim, sem ele precisar se esforçar pra tentar entender uma informação que não vai ser utilizada pra nada.
Para quem produz conteúdo, é fundamental conhecer certas leis que regem o mundo. É como criar uma melodia, tem que saber colocar as notas no tempo certo e definir o ritmo.
No vídeo o que importa é a função, a forma, a harmonia dos elementos visuais e o tempo.
Criar conteúdo que não polui os mares da informação é imprecindível seguir os seguintes pontos:
- Menos é mais: Priorize a simplicidade e evite o excesso de elementos visuais.
- Hierarquia visual: Organize os elementos do vídeo de forma clara, direcionando o olhar do espectador para os pontos mais importantes.
- Cores e tipografia: Utilize paletas de cores harmoniosas e fontes legíveis.
- Edição: Opte por uma edição mais clean, evitando transições abruptas e efeitos visuais exagerados.
- Harmonia: Defina ritmo harmônico que melhor apresente o conteúdo
- Tempo: Distribua as informações sem estrangular a percepção do consumidor. Não economize no tempo de leitura.
Os desafios para as cidades
É realmente desafiador criar conteúdos para ambientes externos com alto fluxo de pessoas. As empresas do segmento OOH concorrem entre si pela atenção e o olhar de cada transeunte. A disputa é pelo olhar, pelo ângulo da visão, pelo instante, um fragmento do tempo.
Os veículos de mídia digital exibem em suas telas alguns segundos de cada anunciante. Um verdadeiro looping frenético de marcas tentando “vender o seu peixe”.
Aí temos o primeiro ponto a ser questionado: Esse produto digital, instalado no espaço público pode ser considerado um emissor de poluição visual?
A resposta é sim! …e não.
Podemos concluir que: Poluição visual é toda informação em excesso que não é útil.
O difícil é dizer o que é útil ou não para todas as pessoas. O que pode ser útil para você, pode ser inútil para mim, e vice versa. Por isso as telas de mídia em ambientes externos NÃO SÃO necessariamente poluidores visuais. Podem ser úteis nas salas de espera de um consultório médico, nos mercados – informando as promoções do dia, nas lojas – mostrando o último lançamento da estação, nas estações de metrô – mostrando as últimas notícias aos passageiros. Os vídeos serão úteis para as pessoas que se conectarem com o conteúdo. E para gerar conexão, tem q ter harmonia criativa.
Você é que vai dizer. O conteúdo é útil no seu contexto de vida, ou não?


